André Romão | Golden masks hiding decomposing bodies

 

André Romão - Europa I, 2013, Impressão digital, 150 x 100 cm. Cortesia Baginski, Galeria | Projectos.

André Romão – Europa I, 2013, Impressão digital, 150 x 100 cm. Cortesia Baginski, Galeria | Projectos.

19 de Setembro 2013 – 2 de Novembro 2013

Baginski Galeria | Projectos (Lisboa)

Uma sala vazia. Branca, ampla, sem esquinas ou cantos. Uma sala que nos usa como fauna. Posicionamo-nos como pontos num sistema axiométrico, definimos uma forma geométrica, um perímetro no qual tudo o que se inscreve no seu interior é exterior a qualquer estrutura social conhecida; lei, poderíamos chamar-lhe; lei oficial, talvez. Ao estarmos aqui arriscamos um posicionamento absurdo, talvez mesmo impossível.

Os nossos corpos circulam livremente, já não lhes é pedido que ajam como parte de uma estrutura, deixamos para trás um palco enorme, coreografias intrincadas, os nossos corpos podem agora satisfazer impulsos de outra ordem, podem voltar a ser carne. Não agimos numa vontade de recusa, num isolamento auto-imposto, não há nada de romântico na nossa decisão, não nos foi dada escolha. O desejo ganha estrutura, dá forma à vontade de constituir um estado, um regime satélite, que gere novas formas de lei (será possível viver fora dos limites da lei?), novas formas de solidariedade. Já não sacrificamos os nossos ossos por uma causa que não é a nossa.

Somos corpos-em-busca-de-limites, barreiras imperceptíveis que recusamos perceber como não-existentes. Sabemos quão depressa podemos correr, quanto tempo resistimos de pé. Quão desconfortável é prolongar o toque no braço de um estranho. Há limite de velocidade na nossa queda. Gritamos, forçamos as nossas vontades em formas visíveis e obrigamo-las a sair de sombras confortáveis. Não devolveremos nada, queremos mais, exigimos mais!

Aqui, estamos todos mortos de sede. (…)

André Romão (Lisboa 1984). Estudou na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa e na Accademia di Bera em Milão, André Romão, esteve em residência na Kunstlerhaus Bethanien em Berlim, 2009-10 e na AirAntwerpen em Antuérpia BE, 2012. Entre as suas exposições destaca-se, Photo Cairo 5, Cairo EG 2012; Notes on the history of violence, Middleheim Museum, Antuérpia BE 2012; Barbarian Poems, Galeria Umberto di Marino, Nápoles IT 2011; BYT Show, Stedelijk Museum, ‘S-Hertogenbosch NL, 2011; Às Artes Cidadãos!, Fundação de Serralves, Porto PT, 2010; Res Publica, Fundação Gulbenkian, Lisboa PT 2010; The Vertical Stage, Kunstlerhaus Bethanien, Berlim DE 2010; The Horizon line is Here, Galleria Umberto di Marino, Nápoles IT, 2010; The Winter of (our) Discontent, Kunsthalle Lissabon; Lisboa PT 2010; On the Razor’s edge, Galeria Heinrich Ehrhardt, Madrid ES, 2009; O Sol morre cedo, Pavilhão Branco – Museu da Cidade, Lisboa PT, 2009; Democracia entre Tiranos, Galeria Pedro Cera, Lisboa PT 2009 e A river ain’t too much to love, Spike Island, Bristol UK, 2008, entre outras. Venceu o Prémio EDP Novos Artistas em 2007 e o BES Revelação em 2013. André Romão é co-editor da Atlas Projectos, desde 2007, e é representado pela Baginski, Galeria | Projectos em Lisboa e Galleria Umberto di Marino em Nápoles (IT). Depois de Pavilion of Progress/ Pavilion of Fall (2010), ‘Golden masks hiding decomposing bodies’ é a segunda exposição individual de André Romão na Baginski, Galeria | Projectos.

Ver aqui Folha de Sala

(C) imagem: Cortesia de Baginski Galeria | Projectos

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