Paulo Romão Brás: Dark Parables

Paulo Romão Brás

ano de nascimento: 1968

local de nascimento: Portalegre 

actualmente: vive e trabalha em Lisboa

medium: fotografia, vídeo, desenho e instalação

projecto recente: ‘Stills’, Ivity Empty Room, Lisboa

projecto futuro: livro ‘Dark Parables’ (lançamento previsto para o final de 2013)

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Ao longo da sua trajectória, Paulo Romão Brás, tem desenvolvido um processo de produção criativa que dificilmente pode ser caracterizada tendo em atenção a utilização de uma técnica, de uma determinada linguagem ou da prática de um estilo artístico. A especialização e o conceito de unidade não fazem parte da obra deste artista, cuja criatividade não aceita a existência de um programa a seguir. Romão Brás vai fazendo uso de uma pluralidade de linguagens e de recursos técnicos em grupos de trabalhos que evidenciam inevitáveis diálogos entre meios disciplinares.

A heterogeneidade e multiplicidade verificada na sua produção artística, está igualmente patente no seu método de trabalho, que entre outros planos do fazer, conta com a apropriação e descontextualização de materiais e referências várias.

Na série de trabalhos “Dark Parables”, o artista trabalha numa estética da apropriação que combina técnicas e processos de realização artística pouco comuns: a partir do conjunto de fotografias antigas, de anónimos que vai coleccionando ao longo do tempo, trabalha digitalmente os desenhos e as imagens, transformando aspectos da composição e sobrepondo apontamentos de grande diversidade e riqueza gráfica.

Desta prática resultam obras que colocam o observador perante apontamentos inesperados. O jogo plástico estabelece-se entre o fotografado e o desenhado, resultando dessa cumplicidade de sentido híbrido, um campo sugestivo de associações e justaposições, cujo efeito onírico diluí o efeito de “realidade” da representação fotográfica.

Mais do que um criador de formas ou um coleccionador de fotografias, nesta série de trabalhos, Romão Brás desencadeia articulações metafóricas e, de imagem a imagem, explora caminhos vinculados ao tratamento criativo de fotografias de arquivo.

Aqui a fotografia é, antes de mais, um vestígio, um pano de fundo, um rasto de memórias congeladas, de valor sentimental, que ganham contornos intrigantes, por intermédio de exercícios informais, livres que evocam o poder subversivo e transformador do desenho.

Texto de Sandra Vieira Jürgens retirado do livro Dark Parables. Com lançamento previsto para o final de 2013.

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Paulo Romão Brás, nasceu em Portalegre em 1968. Trabalha e vive em Lisboa. A sua formação faz-se pela Escola Superior de Comunicação, Lisboa e pelo AR.CO. A sua obra foi mostrada em exposições individuais, de onde se destacam ‘I Love You, Oh, You Pay My Rent’ na Rogue Space Gallery (Chelsea), New York (2012), Labirinto, Espaço3, C.C. Alegro, Alfragide (2009), Go-Between, Kleines Kabinett, Lisboa (2006), Deux Artistes en Dialogue, Galerie Ellecnite, Paris (2005) e colectivas como Tiresias – Vídeos de Artistas Made In Portugal, C. C. de España, Montevideo – Uruguai (2010), In Connection, Pav. 28 no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa (2009), No Connection, MNHN / Sala do Veado, (2008), Objecto: Simulacro, Hospital Júlio de Matos, Pav. 24 (2007), Stigmata, MNHN, Sala do Veado, (2007), Interpretações, Museu da Cidade, Pavilhão Preto (2006) todas em Lisboa e Videomix, La Casa Encendida, Madrid (2006). Participou e colaborou em publicações como Magnética, Op., Número e Ópio. Foi membro do Grupo 21 ½: Plataforma Independente de Transgressão Artística (produção, organização de exposições) e do Grupo Zart21 (produção, organização de exposições). Foi fundador e Editor Revista Base + Base Recordings e da Revista Número.

(C) imagens: Cortesia do artista Paulo Romão Brás

imagem de destaque (página anterior):

Dark Parables
© Paulo Romão Brás
14,6 X 20 cm, 84 p., cor
ISBN: 978-989-20-2222-2

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