Paulo Nozolino: Gloom

Paulo Nozolino, Gloom # 8, 2012. Prova de brometo de prata sobre alumínio. 120 x 80 cm. Edição de 3. © Paulo Nozolino. Cortesia da Galeria Quadrado Azul.

Paulo Nozolino, Gloom # 8, 2012. Prova de brometo de prata sobre alumínio. 120 x 80 cm. Edição de 3. © Paulo Nozolino. Cortesia da Galeria Quadrado Azul.

Galeria Quadrado Azul (Lisboa)
4 de Abril a 25 de Maio, 2013

É com Gloom, exposição individual de Paulo Nozolino, que a Galeria Quadrado Azul inaugura as suas novas instalações, situadas na Rua Reinaldo Ferreira, nº 20-A, em Alvalade (Lisboa).

A mostra é formada por um conjunto de 10 imagens verticais, a preto e branco, que sintetizam uma série de recentes incursões do artista na Bretanha, a convite do Centre d’Art et de Recherche GwinZegal. No dia 6 de Abril, pelas 18h, decorrerá um encontro com Paul Cottin, director e fundador do referido centro, que vai estar na Galeria para falar do trabalho realizado pelo fotógrafo nessa região de França. O encontro contará com a presença de Paulo Nozolino.

A palavra “Gloom” define um estado de espírito que pode ser associado à melancolia, à tristeza e mesmo às trevas. As fotografias agora reveladas descrevem um território deixado ao abandono, um projeto inacabado, sem solução possível: é a história interpretada na sua dimensão catastrófica. Espelhos da decadência universal, estas imagens, das quais o humano se ausentou, descrevem o estado de putrefacção que tudo invade: uma montra, uma lareira, um urinol. Reflexão acerca do vazio contemporâneo, a nova exposição de Paulo Nozolino é também um comentário sobre a proliferação de imagens numa sociedade devastada pelo capital.

Paulo Nozolino nasceu em Lisboa, em 1955. Vive e trabalha entre Lisboa e Paris. É uma das figuras centrais da fotografia contemporânea. O seu percurso começa na década de 70, em Londres, para onde foi viver. Paris, desde o final dos anos 80 e durante toda a década de 90, é a base para uma longa série de viagens no Mundo Árabe, bem como na Europa do pós-queda do Muro de Berlim. Livros como Penumbra e Solo traduzem bem as suas preocupações políticas com uma sociedade em mutação. Regressa a Portugal, em 2002, depois de Paris lhe ter consagrado uma exposição antológica – Nada – na Maison Européenne de la Photographie. Em 2005, o Museu de Serralves, no Porto, convida-o para nova antológica – Far Cry – expondo, pela primeira vez, o trajecto de um fotógrafo português. Artista frontal, Nozolino encara a fotografia como a vida, usando-a tanto para compreender o mundo como a si próprio e levando-a até aos limites das suas interrogações, das suas respostas e das suas vivências. Não há espaço para complacências no seu trabalho. Destruição significa destruição, morte é morte. Ciclos constantes no seu tempo histórico por excelência, o século XX, e ainda mais vivos no momento presente, como é afirmado nos seus mais recentes trabalhos, bone lonely (Galeria Quadrado Azul, Lisboa/ Atelier des Forges, Rencontres d’Arles, França, 2009), Makulatur (Galeria Quadrado Azul, Lisboa, 2011) e Usura (BES Arte & Finança, Lisboa, 2012). O reconhecimento público acompanha a obra do artista desde o início. São disso reflexo prémios tão relevantes como a Villa Médicis (1994), em França, ou o Grande Prémio Nacional de Fotografia (2006) e o Prémio Sociedade Portuguesa de Autores (2013), em Portugal.

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Gloom # 1, 2010. Prova de brometo de prata sobre alumínio. 120 x 80 cm. Edição de 3. © Paulo Nozolino. Cortesia da Galeria Quadrado Azul.

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