Valter Vinagre: Olha

Valter Vinagre, 05.02.2010, S. Miguel, Açores. Da exposição Olha, Cordoaria Nacional, Lisboa, 2013. © Valter Vinagre. Cortesia do artista.

Valter Vinagre, 05.02.2010, S. Miguel, Açores. Da exposição Olha, Cordoaria Nacional, Lisboa, 2013. © Valter Vinagre. Cortesia do artista.

A exposição ‘Olha’ de Valter Vinagre vai ser prolongada até 14 de Abril.

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) e a Câmara Municipal de Lisboa são os promotores desta exposição de fotografia que se encontra patente na Galeria Torreão Nascente da Cordoaria Nacional, em Lisboa.

A mostra reúne um conjunto de trabalhos realizados pelo fotógrafo Valter Vinagre, que resulta de uma colaboração com a APAV, com o objectivo de retratar o universo das vítimas de crime em Portugal.

Importa ‘olhar’ para este incrível trabalho de Valter Vinagre. Uma mensagem poderosa sobre aqueles que sofrem em silêncio, que são vítimas de violência que atenta, em muitos casos, contra a sua própria vida. Uma dimensão humana de fragilidade para a qual nem sempre desejamos ‘olhar’.

Valter Vinagre, Tânia, † 4 de Setembro de 2009, Ponta Delgada, Açores. Da exposição Olha, Cordoaria Nacional, Lisboa, 2013. © Valter Vinagre. Cortesia do artista.

Valter Vinagre, Tânia, † 4 de Setembro de 2009, Ponta Delgada, Açores. Da exposição Olha, Cordoaria Nacional, Lisboa, 2013. © Valter Vinagre. Cortesia do artista.

Como fotografar o silêncio? Como fotografar o invisível ou o velado? Desde que há fotografia – melhor seria dizer, desde que há imagem – que o problema se põe. Seja porque o que está em causa são conceitos e não realidades tangíveis, seja porque essas realidades se furtam absolutamente ao olhar da câmara. A violência doméstica, entendida como fenómeno alargado, é um destes casos. É omnipresente em todas as sociedades, mas invisível. É ilegal (é mesmo um crime público) na nossa, mas resistente à sanção social e à lei. O que é novo na modernidade não é a violência, mas, por um lado a natureza dessa violência e, por outro, o modo como a vemos e a enquadramos entre o espaço público e privado. O seu território, o seu capital de impunidade é precisamente esse círculo fechado que constitui a privacidade, que deixa à porta o Estado, as leis, a urbanidade exigível aos comportamentos. (…) Poucos assuntos podiam ser menos atraentes e mais destituídos de glamour e de fotogenia como a vida das pessoas vítimas de violência. O circuito mediático guarda-as normalmente para encarniçar em nós a faceta humanista que todos julgamos ter. A serenidade cúmplice das imagens de Valter Vinagre recusa liminarmente essa parasitagem. No fundo elas dizem uma só coisa de diferentes maneiras. Olha. Compreende o que puderes. Se puderes. E age. Se puderes. – Celso Martins

Valter Vinagre, Ponta delgada, Açores. Da exposição Olha, Cordoaria Nacional, Lisboa, 2013. © Valter Vinagre. Cortesia do artista.

Valter Vinagre, Ponta delgada, Açores. Da exposição Olha, Cordoaria Nacional, Lisboa, 2013. © Valter Vinagre. Cortesia do artista.

Valter Vinagre 

Nascido, em 1954, em Avelãs de Caminho, no concelho de Anadia, Valter Vinagre estudou fotografia no AR.CO – Centro de Arte e Comunicação Visual, (1986 – 1989) em Lisboa. Iniciou o seu percurso em finais dos anos 1980, realizando exposições individuais e participando em mostras e iniciativas de cariz colectivo. De início conotado com uma fotografia próxima do registo documental, o seu trabalho passou a interiorizar um exercício mais reflexivo sobre a imagem, criando discursos sobre os significados associados à paisagem, à viagem e ao lugar da cidade.

Do seu percurso salientam-se exposições como CÁ NA TERRA, Arquivo FotográficoMunicipal, Lisboa BORED IN THE USA apresentada no Centro Cultural Emmerico Nunes em Sines, CARTA DO SENTIR exibida no Museu da Imagem em Braga, ou SOB A PELE, 1996|2007 Voyeur Project View em Lisboa, ESPIRITO NAS ILHAS, Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro,VARIAÇÕES PARA UM FRUTO ,Museu Francisco Tavares Proença Júnior, Castelo Branco, HUMÚS , Centro Cultural de Cascais e participações em mostras colectivas com o TOPOGRAFIAS DA VINHA E DO VINHO, naCordoaria Nacional, em Lisboa, UMA EXTENÇÂO DO OLHAR, CAV-Centro de Artes Visuais, Coimbra , MY PRIVAT PICTURES na Plataforma Revólver, Lisboa. PEDRAS E ROCHAS, Fundação Eugénio de Almeida, Evora, FRAGMENTOS DO PRAZER,Centro Cultural Raiano, Idanha-a-Nova, MADALENA, Kgaleria, Lisboa, STIGMATA, Sala do Veado, Lisboa , CRITÉRIO VISIVEL – 150 Anos de Fotografia Portuguesa, Edifício da Cadeia da Relação, CPF, Porto , PARA, Cineteatro de Vila Real, O PRESENTE-UMA DIMENSÃO INFINITA .BESart Colecção Banco Espírito Santo – Museu Colecção Berardo, Lisboa. UM DIÁRIO DA RÉPUBLICA. PhotoEspaña2011. Fundación António Saura/Casa Zavala. Cuenca, Galéria Slovenskej.-Bratislava, Fundação EDP, Porto.

Valter Vinagre é membro do colectivo Kameraphoto. De momento, encontra-se patente a exposição – Animais de Estimação – com trabalhos seus na Kgaleria, em Lisboa.

Valter Vinagre, Povoa de S Martinho do Bispo, Coimbra. Da exposição Olha, Cordoaria Nacional, Lisboa, 2013. © Valter Vinagre. Cortesia do artista.

Valter Vinagre, Povoa de S Martinho do Bispo, Coimbra. Da exposição Olha, Cordoaria Nacional, Lisboa, 2013. © Valter Vinagre. Cortesia do artista.

Links:

Valter Vinagre

APAV

Kgaleria

Kameraphoto

Galeria Torreão Nascente | Cordoaria Nacional

Valter Vinagre, Sitio do Vale Judeu, Loulé, 27 de Julho de 2010. Da exposição Olha, Cordoaria Nacional, Lisboa, 2013. © Valter Vinagre. Cortesia do artista.

Valter Vinagre, Sitio do Vale Judeu, Loulé, 27 de Julho de 2010. Da exposição Olha, Cordoaria Nacional, Lisboa, 2013. © Valter Vinagre. Cortesia do artista.

Valter Vinagre, Maria de Fátima, † 27 de Fevereiro de 2010, Barragem de Penide, Barcelos. Da exposição Olha, Cordoaria Nacional, Lisboa, 2013. © Valter Vinagre. Cortesia do artista.

Valter Vinagre, Maria de Fátima, † 27 de Fevereiro de 2010, Barragem de Penide, Barcelos. Da exposição Olha, Cordoaria Nacional, Lisboa, 2013. © Valter Vinagre. Cortesia do artista.

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