Leonor Antunes: Raumplan

Vista da exposição: "assembled, moved, re-arranged and scrapped continuously" (2012) por Leonor Antunes na Marc Foxx Gallery, Los Angeles, EUA.

Vista da exposição: “assembled, moved, re-arranged and scrapped continuously” (2012) por Leonor Antunes na Marc Foxx Gallery, Los Angeles, EUA.

de 6 de março a 4 de maio de 2013 

Galeria Luisa Strina (S. Paulo, Brasil)
Raumplan
Segundo Beatriz Colomina foi Ariadne quem concebeu a primeira obra de arquitectura, ao entregar a Teseu um novelo de linha, por meio do qual ele encontrou o caminho para sair do labirinto, depois de ter morto o Minotauro. Para alcançar esse objectivo fez uso da representação, servindo-se de um dispositivo conceptual – o novelo de linha. O fio de Ariadne não é uma mera representação (dentro das infinitas possíveis) do labirinto: “É um projecto, uma produção autêntica, um dispositivo que tem como resultado colocar em desequilíbrio a realidade”.
Este projeto tem vários momentos de pesquisa que fui fazendo a partir de uma primeira passagem pelo Brasil em 2008. Interessou-me ligar dois edificios, que foram construídos no final da década de 40, um em Lisboa e o outro no Rio de Janeiro. Ambos incorporam dentro da sua linguagem moderna o modelo vernacular. 
Uma estrutura em madeira de teka está suspensa por cordas na sala da galeria. É uma estrutura aberta, cujas partes geram uma divisão no espaço. É digamos a escultura “mãe” que alberga todas as outras. Esta “malha” feita à escala 1:1, revela uma “janela” existente num edificio em Lisboa: o Edificio de habitação, comércio e serviços, Bloco das águas livres 1953-1956, desenhado pelo arquiteto Nuno Teotónio Pereira. Segundo Ana Tostões este é talvez o “único exemplo consequente de unidade de habitação em Portugal”.
Este edificio multiusos propunha grandes novidades em relação aos correntes edificios de habitação. Idealizado para servir uma comunidade e não apenas para “conter gente”, foi programado com serviços coletivos que denunciavam uma progressista visão da sociedade e uma vontade de introduzir a modernidade na vida quotidiana. Na sua origem está uma companhia de seguros que pretendia aplicar algum do seu capital numa obra de qualidade para uma clientela de alto standard, o que permitiu erguer uma construção em conformidade. Foram usados materiais inéditos, com um “realismo” que permitiu ultrapassar as posições mais dogmáticas do “movimento moderno”. 
Da estrutura suspensa no espaço da galeria “caem” outras esculturas feitas em couro, cordas de nylon, redes em fio de nylon e arame de latão. Algumas destas peças funcionam como “paredes” e estão agarradas por cordas, reenviando para partes de muros existentes no edificio “bloco das águas livres”. 
Outras esculturas suspensas nesta estrutura continuam a série de esculturas chamada “random intersections”. Funcionam como “espectros”, pela ausência de um volume que lhes dê forma e sentido. 
Três biombos amarelos intersectam o espaço em diferentes movimentos. Estes elementos fazem referência ao Edificio “Nova Cintra” de Lucio Costa no Rio de Janeiro, construído em 1948. 
Lúcio Costa construiu três blocos de apartamentos no Rio de Janeiro no Parque Guinle. Os três prismas ortogonais, respectivamente “Nova Cintra”, “Bristol” e “Caledónia” foram construídos nos anos de 1948, 1950 e 1954. Seguindo os princípios do movimento de vanguarda Europeia e sob a influência de Le Corbusier, estes blocos foram os primeiros edifícios no Brasil a ser construídos sobre pilotis e de uma certa maneira, eles influenciaram o planeamento de Lúcio Costa da cidade de Brasília. 
Uma miríade de fragmentos de elementos existentes em ambas as fachadas, são reproduzidos com materiais diferentes e em consistências diferentes, contendo o seu próprio significado e carga. Estes elementos são justapostos em camadas, de modo fragmentado, enchendo ou esvaziando o espaço. – Leonor Antunes
Leonor Antunes, Discrepancies with T.P. 2012, Vista do estande na Arco Art Fair Madrid, Isabella Bortolozzi Gallery, 2012

Leonor Antunes, Discrepancies with T.P.
2012, Vista do estande na Arco Art Fair Madrid, Isabella Bortolozzi Gallery, 2012

Das exposições individuais recentes de Leonor Antunes destacam-se “sculptures for travelling”, Harburger Kunstverein, Hamburgo, Alemanha (2012), “Villa, How to Use”, Kunstverein Dusseldor, Alemanha (2012) “discrepancies with M.G.” no Museo El Eco na Cidade do Mexico (2011), “walk around there. look through here”, Reina Sofia, Madrid (2011), “Villa, How to Use”, na Casa da Fundação Serralves, Porto, Portugal (2011), “original is full of doubts”, LeCredac, Centre d?art contemporain Ivry Sur Seine, Paris (2008). Antunes participou ainda nas seguintes exposições coletivas (seleção): “The Language of Less (Then and Now)”, MCA Chicago (2011); Open House – 3th Singapore Biennale, Singapor Art Museum, Marina Bay, Singapore (2011).
 
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