Leituras do Real | IndieMovingImage

A exposição IndieMovingImage celebra o décimo aniversário do IndieLisboa com apresentações de diversos artistas que participaram em edições anteriores do festival através da exposição de trabalhos de imagem em movimento: filmes e vídeos de artistas e realizadores produzidos para um contexto de instalação. Cada espaço convidado apresenta o trabalho de um artista, mostra que estará patente de 7 a 10 de Março. Leituras do Real pretende reflectir sobre a imagem em movimento como ferramenta para pensar a situação contemporânea em Portugal e no mundo.

7 a 10 de Março 2013

9 espaços  |  9 artistas |  Comissariado por João Laia

Galeria 111: Michael Robinson 

Carlos Carvalho Contemporary Art: Johann Lurf

Carpe Diem Arte e Pesquisa: Camille Henrot 

Museu da Eletricidade – Fundação EDP: Filipa César 

Galeria Graça Brandão: Ben Rivers

Galeria Miguel Nabinho: Vincent Meessen 

Módulo – Centro Difusor de Arte: Atsushi Wada 

Museu Nacional de Arte Contemporânea Museu do Chiado: John Smith 

Galeria Zé dos Bois: Salomé Lamas

Vincent Meessen. In A Broken Rule. 2007 @ Galeria Miguel Nabinho.

Vincent Meessen, In A Broken Rule, 2007 @ Galeria Miguel Nabinho.

Galeria Miguel Nabinho | A Broken Rule. Vincent Meessen. 2007. 3mins. Bélgica

Seis homens africanos caminham durante a noite, carregando um letreiro iluminado. As letras vermelhas brilhantes são difíceis de ler. O que estão estes homens a anunciar? “C’est beau une règle qui souffre”. (“É bom quando uma regra é quebrada.”). O belga Vincent Meessen resiste às imagens mediáticas dominantes do africano pobre, doente, assolado pela violência. Não vemos vítimas mas enigmas que nos incitam a questionar visões estáveis do mundo e, ao mesmo tempo, convidam a olhar para a imagem, oferenda encantatória e poética que nos é oferecida.

Camille Henrot. Coupé-Décalé. 2010.

Camille Henrot, Coupé-Décalé, 2010 @ Carpe Diem Arte e Pesquisa.

Carpe Diem Arte e Pesquisa | Coupé / Decalé. Camille Henrot. 2010. 6mins. França

A rodagem do filme levou a artista à ilha de Pentecostes no arquipélago de Vanuatu para testemunhar em primeira mão um ritual que se presume ser um rito de passagem para a idade adulta, mas que é organizado para os turistas. A encenação do ritual revela dinâmicas miméticas inerentes a qualquer cultura; a manipulação do filme pela artista tenta, por sua vez, sublinhar a modificação da tradição e sua reconstrução contemporânea. Coupé / Décalé reflecte sobre este tipo de movimentos culturais, onde o que é copiado não é a própria forma cultural, mas a concepção externa dela mesma – neste caso, a cultura ocidental imita uma tradição oriental que foi modificada para corresponder com a percepção ocidental de si mesma.

Salomé Lamas, Encounters with Landscape (3X), 2012 @ Galeria Zé dos Bois.

Salomé Lamas, Encounters with Landscape (3X), 2012 @ Galeria Zé dos Bois.

Galeria Zé dos Bois | Encounters with Landscape (3X). Salomé Lamas. 2012. 26mins. Portugal

Três quadros estranhos e insólitos protagonizados pela realizadora que literalmente testa os seus limites nestes encontros com a paisagem de São Miguel, nos Açores. A força que emana da paisagem filmada é tão sedutora quanto a forma arriscada do encontro entre imagem e som. Filme-limite para uma artista portuguesa inventiva. (Miguel Valverde) 

Filipa César. F for Fake. 2005.

Filipa César, F for Fake, 2005 @ Museu da Electricidade. Fundação EDP.

Museu da Eletricidade – Fundação EDP | F for Fake. Filipa César. 2005. 19mins. Portugal/Alemanha

Em F for Fake, Filipa César adapta o filme homónimo de Orson Welles, sobre o falsificador de arte Elmyr de Hory e o não menos controverso escritor Clifford Irving, autor de uma falsa biografia de Howard Hughes e de uma biografia genuína de Elmyr. Tal como o filme de Welles, a adaptação de César lida com ideias como autenticidade, cópia, falsificação, transgressão, intencionalidade e criatividade. F for Fake recontextualiza o mundo da arte como um micro-cosmos de um contexto social mais abrangente com poder para influenciar e controlar o indivíduo.

John Smith. The Girl Chewing Gum. 1976

John Smith, The Girl Chewing Gum, 1976 @ Museu Nacional de Arte Contemporânea Museu do Chiado.

Museu Nacional de Arte Contemporânea Museu do Chiado | The Girl Chewing Gum. John Smith. 1976. 12mins. Reino Unido

Em The Girl Chewing Gum uma voz autoritária antecipa os eventos que ocorrem na imagem, parecendo dar ordens não só às pessoas, carros e objetos em movimento no interior da imagem mas também aos movimentos de câmara que os captam. O filme chama a atenção para a função de controle da voz off do documentário televisivo: impor, julgar, e para a capacidade de criar uma cena imaginária a partir de um rasto visual. (Michael Maziere)

Atsushi Wada, The Great Rabbit, 2012 @ Módulo - Centro Difusor de Arte.

Atsushi Wada, The Great Rabbit, 2012 @ Módulo – Centro Difusor de Arte.

Módulo – Centro Difusor de Arte | The Great Rabbit. Atsushi Wada. 2012. 7mins. França/Japão

Um coelho é o grande líder, adorado misteriosamente e em silêncio. Uma animação enigmática e mágica feita de desenhos delicados e movimentos suaves. Uma acção em loop que pode ser lida como uma metáfora sobre a complexidade do mundo e as relações de poder. E tu, acreditas no Grande Coelho? (Carlos Ramos)

Michael Robinson, Victory Over the Sun, 2007 @ Galeria 111.

Michael Robinson, Victory Over the Sun, 2007 @ Galeria 111.

Galeria 111 | Victory Over the Sun. Michael Robinson. 2007. 13mins. EUA

O filme examina as zonas abandonadas de três exposições mundiais: Seattle (1962), Nova York (1964) e Montreal (1967). O pai do artista visitou as exposições durante o seu período de funcionamento captando-as quando celebravam futuros de esperança. Quatro décadas depois, Robinson entende o quão competitivas as feiras realmente eram, e como consequência a sua “luta pelo futuro” assume um tom menos luminoso. A música é uma versão para quarteto de cordas da balada November Rain dos Guns N’Roses. O refrão: “Nada dura para sempre, mesmo a chuva fria de Novembro,” ecoa as projecções falhadas das três feiras mundiais e o cenário apocalíptico dos seus espaços abandonados.

Johann Lurf. 12 Explosions. 2008.

Johann Lurf, 12 Explosions, 2008 @ Galeria Carlos Carvalho.

Carlos Carvalho Contemporary Art | 12 Explosions. Johann Lurf. 2008. 6mins. Áustria

Johann Lurf deflagra fogos de artifício em diversos locais durante a noite: imagens alegres sem palavras, um esboço de cinema sem começo nem fim deixado inteiramente à passagem do tempo e dos seus medos, momentos de alegria e de descarga – para o filme acabar um dia numa qualquer feira da ladra e ser descoberto como found footage anónima de uma época explosiva. (Festival Internacional de Roterdão)

Ben Rivers, The Coming Race, 2006 @ Galeria Graça Brandão.

Ben Rivers, The Coming Race, 2006 @ Galeria Graça Brandão.

Galeria Graça Brandão | The Coming Race. Ben Rivers. 2006. 5mins. Reino Unido

Um filme processado à mão em que milhares de pessoas escalam uma montanha de terreno rochoso. A finalidade da sua escalada não é clara. A peregrinação é vaga, misteriosa e inquietante, cheia de intenções desconhecidas. O título do filme é inspirado num romance da época vitoriana de E.G.E. Bulwer-Lytton, sobre uma espécie humana que vive sob uma montanha. 

(C) imagens, cortesia de IndieMovingImage (Indie Lisboa).

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