Ciclo Enda Walsh e Shakespeare no TNSJ

Enda Walsh

Ciclo Enda Walsh

de 27 de abril a 13 de maio

no Teatro Carlos Alberto no Porto (TeCA)

Acamarrados de Enda Walsh, pelos artistas unidos no TeCA.

Três espectáculos, duas leituras encenadas, um filme e outras tantas possibilidades de acesso ao universo grotesco, claustrofóbico, divertido e amargo de Enda Walsh (n. 1967), que Jorge Silva Melo não hesita em considerar “um dos autores maiores deste século”. “Eu sou esta história, mais esta, mais esta”, assim se definiu o dramaturgo irlandês. Os Artistas Unidos, que em boa hora o nacionalizaram em 2005, escolherem seis para contar neste ciclo. Vamos ao teatro ver e ouvir as histórias de Dinny, Blake, Sean, Hayley, Pai, Filha, Burns, Quinn, Dunne, Fitz, Penélope, William, Jack, Eva, Emily, Jim, Laura, Breda, Clara, Ada e Patsy? Amados monstros, tagarelas compulsivos que sobrevivem pelo exercício do verbo e da memória. Um deles dirá, no início de Acamarrados: “E rendo-me às palavras. Deixo-me ir. Vou”. Ver aqui programa completo. A partir de 22 de Maio, em Lisboa, no Teatro da Politécnica

A Farsa da Rua W (27-29 Abr 2012) |  O Chat  (28 Abr 2012)  |  Acamarrados  (4-6 Mai 2012)  |  
Fome  (5 Mai 2012)  |  Penélope (11-13 Mai 2012)  |  O Novo Dancing Elétrico (12 Mai 2012)
E ainda:

DELIRIUM, de ENDA WALSH: LEITURAS NO MOSTEIRO –   08.05.12 às 21h – 

As Leituras no Mosteiro associam-se aos Artistas Unidos para apresentarem uma tradução inédita

em Portugal de “Delirium”, de Enda Walsh. Escrito em 2008 com o theatre O, é um texto fabuloso

baseado n’Os Irmãos Karamázov, de Dostoiévski. A tradução é de Nuno Barbosa e foi realizada

com o apoio do Ireland Literature Exchange (translation fund), Dublin, Ireland. 

Jorge Silva Melo estará presente.

e

‘Medida por Medida’ de Shakespeare,

encenação Nuno Cardoso

no Teatro Nacional S. João

TNSJ (Porto)

de 5 a 13 de maio

e

de 17 a 20 de Maio 

no S. Luiz Teatro Municipal (Lisboa)

Medida por Medida de Shakespeare, encenação Nuno Cardoso, no TNSJ (Porto).

Escrita em 1604, Medida por Medida marca, segundo Harold Bloom, o adeus à comédia de William Shakespeare, anunciando a escuridão que haveria de se abater sobre as suas tragédias finais. Abismados por uma obra tão obcecada pelo sexo e pela morte, alguns comentadores chamaram-lhe “comédia sombria” e “peça-problema”, tentando assim dar conta da ambiguidade que a rodeia e das coisas escondidas que nos lega. Há algo de simultaneamente podre e jubiloso no reino desta Viena, repleta de personagens transbordantes de desejo, indecisas entre o ser e o parecer, a virtude e o vício, a intriga palaciana e o sentido de Estado. Seria abusivo ver na figura de um Duque que abdica temporariamente do poder, colocando-o nas mãos de um Ângelo exterminador, um sintoma do cansaço das nossas democracias, onde a tentação da pureza e o império da lei cedem o lugar a um verdadeiro programa político? “Estas novas são velhas, e são novas todos os dias”, diz-se a páginas tantas deste clássico que ainda não terminou de dizer tudo aquilo que tem para nos dizer. MasMedida por Medida é acima de tudo o lugar que nos permite continuar a acompanhar de perto o trabalho do encenador Nuno Cardoso e do tradutor Fernando Villas-Boas, artesãos que atacam o texto e a cena com uma tremenda ambição: tornar clara a sua complexidade. Ver aqui o programa.

Medida por Medida de Shakespeare, encenação Nuno Cardoso, no TNSJ (Porto).