Sanja Iveković: Sweet Violence

Sanja Iveković

MoMA (NY) 

> 26.03.2012

Esta é a primeira exposição de Sanja Iveković (n. 1949, Zagreb) num museu americano. Cobre quatro décadas da carreira da artista.  Iveković é feminista convicta, ativista e pioneira na utilização do vídeo. Atingiu a maioridade nos anos sessenta, do século XX, o que coincidiu com o início de um movimento artístico que vem estabelecer uma nova praxis, em oposição ao mainstream institucional vigente. Fez parte dessa geração intitulada – Nova Umjetnička Praksa (nova prática artística) – criando e produzindo obras conceptuais, fotomontagens, vídeos e performances. Esta exposição reune vários trabalhos emblemáticos da artista que incluem vídeos e instalações dos anos setenta, oitenta, noventa, do século XX, e primeira década do século XXI. Entre as 100 fotomontagens presentes, na exposição, destaque para a série Double Life (1975–76) onde a artista mistura imagens de si própria com imagens publicitárias que retirava das revistas femininas da época. A partir dos anos noventa, com a queda do muro de Berlim, a desintegração da Jugoslávia e o nascimento de um novo país, Iveković dedicou-se à análise da transformação social e política do socialismo para um outro sistema político. A artista oferece-nos uma visão fascinante sobre o poder, as questões de género e os paradoxos sociais. Uma viagem pela memória coletiva de um povo e de uma região que sofreu alterações sociais profundas nas últimas décadas. Que identidade prevalece?

Gen XX, nesta série Sanja Iveković apropriou-se de anúncios, das revista de moda, com fotografias de modelos profissionais, substituindo os logos e marcas anunciadas pelas acusações e datas de execução de jovens militantes anti-fascistas, mas mantendo as fotos dos modelos. Dragica Cončar, Nada Dimić, Ljubica Gerovac, as irmãs Balković, Anka Butorac e Nera Šafarič foram presas, torturadas e executadas pelo regime croata, durante a II guerra mundial. Exemplo de uma das legendas: “Nada Dimić: acusada de atividades anti-fascistas. Torturada e executada na Nova Gradiška em 1942. Idade na altura da execução: 19.”

Nesta série, Women’s House (Sunglasses), a artista trabalha questões relacionadas com a violência exercida sobre as mulheres na Croácia pós-comunista (como, também, foi e continua a ser em alguns países democráticos…), aproveita anúncios a óculos de sol e coloca por cima um breve texto com as condições de vida de algumas das agredidas. Este projeto já foi mostrado em vários países europeus e mostra a dedicação de Iveković a estas causas. Foi, fundadora e membro de várias organizações de solidariedade (ELEKTRA—Women’s Art Center/ B.a.B.e./Be active, Be emancipated/ Autonomous Cultural Center—ATTACK!/ Center for Women War Victims/ The Association of Feminists).

In 1976, Iveković começou a alterar a transformar anúncios, em Paper Woman apaga, risca, corta e perfura. Destapa, por assim dizer, a violência escondida a que algumas mulheres têm que se submeter. Desmascara o mundo perfeito que as revistas nos querem vender.

Em My Scar. My Signature (Girls), a artista analisa os clichés da representação feminina. Dirigindo uma crítica à cultura consumista e também ao mundo da arte.

 

Outras séries a seguir, para mais informações visite o site interativo da exposição.

Imagens cortesia: The Museum of Modern Art, New York. © 2011 MoMA, NY

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