Useless – EXD’11 / Bienal de Lisboa


 USELESS | 28 de setembro a 27 de novembro, 2011

A Bienal de Lisboa lança o desafio: questionar e reflectir sobre a (in)utilidade.

Um tema fundamental e muito pertinente na conjuntura actual. Com uma programação muito abrangente e de inequívoca qualidade. Exposições, conferências, intervenções urbanas, projectos especiais e paralelos, ciclos de cinema. Cada vez mais, a Experimenta se impôe como o acontecimento mais relevante e bem estruturado da nossa realidade cultural. Aqui o programa da semana inaugural e acesso ao resto da programação. 

O tema da 6ª edição da BIENAL propõe um questionamento aprofundado da ideia de utilidade e do conceito de “sem uso”. Numa sociedade obcecada com a prossecução de objectivos tangíveis e o acumular de objectos, a ideia de não fazer nada é um absurdo. Pior: é política e socialmente incorrecto. A aparente – porque é disso que se trata- ausência de utilidade ou propósito parece ser hoje o equivalente secular do pecado. No entanto, o tempo passado à espera, a transitar de uma acção útil para a seguinte, não pára de crescer. Procuramos freneticamente preenchê-lo fazendo compras, comunicando sem parar, mantendo-nos – obsessivamente – ocupados. Qualquer coisa, tudo menos não fazer nada. O programa da EXD’11 propõe reavaliar conceitos — e preconceitos — ligados à utilidade e sua ausência.

exposições

Fernando Brízio – Desenho Habitado

Curadoria: Experimenta Design

29 de setembro a 29 novembro – Antigo Convento da Trindade

Fernando Brízio: Desenho Habitado constitui a primeira retrospectiva do mais conhecido designer português da actualidade. A sua produção consistente e conscientemente trabalhada, exposta e publicada nacional e internacionalmente, assenta na relação desafiante entre objecto e utilizador, e na criação de projectos multidimensionais que não se esgotam numa única função ou leitura. Esta exposição vai proporcionar uma visão intimista e pouco convencional deste designer. Compreendendo o período integral da sua actividade desde 1993, apresenta vários projectos em diferentes estádios de desenvolvimento e os seus processos de criação, mas também pormenores biográficos, entrevistas documentais (realizadas pela filha, a realizadora Salomé Lamas), filmes que o inspiram e livros.

Sidelines – Colecções Pessoais em 7 Instituíções Singulares

Curadoria de Emily King
30 setembro a 27 novembro (vários locais)

Divididas por vários núcleos em diferentes espaços, a exposição Sidelines vai integrar colecções privadas, captadas local e internacionalmente, no seio de museus e instituições lisboetas menos conhecidos do grande público. O facto da cidade possuir um surpreendente vasto número de espaços desta natureza é uma herança da sua longa história enquanto centro de tráfego e transacções comerciais. A juntar e organizar os seus pertences desde os tempos Romanos, foi na era pós-terremoto de 1755 que os cidadãos de Lisboa começaram a colocar os seus espólios em exposição. Hoje em dia, as colecções da cidade cobrem um largo espectro, desde ferramentas pré-históricas em pedra lascada a instrumentos das ciências exactas.

Utilitas Interrupta – Um Índice Infraestrutural de Ambições por Cumprir 

Curadoria de Joseph Grima

1 outubro a 27 novembro – Fundação Arpad Szènes-Vieira da Silva e Jardim das Amoreiras e  Mãe d’Água

Desde o início dos tempos, os maiores sonhos, desafios e realizações do ser humano materializaram-se em obras de infraestrutura. Dos sistemas hidráulicos babilónicos aos arquipélagos criados por geo-engenharia no século XXI, as grandes obras de infraestrutura representam o auge da complexidade e realização arquitectónica – e muitas vezes, por virtude da sua esmagadora dimensão, tornam–se na expressão tangível do desenvolvimento, ambição e poderio de uma cultura. Canais, centrais eléctricas, fortificações, terras conquistadas à água por aterros, aquedutos, aceleradores de partículas, pontes suspensas, represas: as infraestruturas são vistas, não injustificadamente, como o registo das concretizações colectivas de uma sociedade, sendo ainda a referência histórica da visão dos seus líderes.

Useless, uma perspectiva explodida. Curadoria de Jonathan Olivares

Useless, a dor errante. Curadoria de Max Bruinsma e Hans Maier-Aichen 

2 outubro a 27 novembro – Mude (Museu do design e da Moda)

Fruto de décadas de uma produção altamente especializada para responder às necessidades de um quotidiano cada vez mais complexo, vivemos cercados de milhares de objectos cuja utilidade está hoje mais que nunca em causa. A crise dos mercados, a problemática energética, a nova ética da sustentabilidade económica, social e ambiental, estão a empurrar a sociedade contemporânea para um questionamento aprofundado daquilo que é, finalmente, útil. E por útil entenda-se necessário, pertinente, passível de cumprir uma função. Quase automaticamente, esta condição ou estado de útil é convertida em apreciações éticas ou de um “moralismo projectual” – o útil é bom, é positivo, é uma mais-valia, é pertinente e desejável.  O programa da EXD’11 propõe reavaliar conceitos — e preconceitos — ligados à utilidade e sua ausência. A inutilidade, tal como a beleza, está nos olhos de quem vê; tal como o prazer puro, é desinteressada. Uma experiência inútil pode apaziguar ou exacerbar o desejo; pode levar- nos a usar menos ou, pelo contrário, a querer mais. Useless pode conduzir-nos à problemáticas concretas, de aplicabilidade e execução definidas, ou pode igualmente inspirar uma reflexão simbólica, quase lírica, sobre a importância de dimensões como a beleza, o sonho e a invenção.

Projectos especiais

Action For Age – de 02 Outubro a27 Novembro – Fundação Calouste Gulbenkian

Coordenado por Vincenzo Di Maria e Susana António

Este laboratório criativo a operar simultaneamente em Lisboa e Londres desafiou estudantes universitários finalistas e recém-licenciados a desenhar soluções que contribuíssem para melhorar a qualidade de vida dos idosos, com base no estabelecimento de relações intergeracionais. Face ao envelhecimento generalizado da população, Action for Age aborda os desafios e oportunidades de interacção enquanto meio de fomentar a coesão social, reciprocidade e envolvimento transversal, com incidência nos idosos. Action for Age arrancou com um concurso nacional de ideias em Outubro de 2010. A Bienal EXD’11 apresenta agora, na Fundação Calouste Gulbenkian, os outputs dos 12 projectos vencedores que o júri seleccionou entre os participantes de 22 escolas portuguesas. A exposição, com desenho dos coordenadores Vicenzo di Maria e Susana António e design gráfico de Marco Balesteros, permite envolver o público no desenrolar de todo o processo de trabalho. A inauguração é marcada pela projecção do documentário realizado por Rui Simões que acompanhou de perto a dinâmica do processo e por uma conferência de contextualização.

Simpósio de Economia Criativa

13 e 14 Out – Antigo Tribunal da Boa-Hora

A aposta na criatividade e no capital humano é essencial para desenvolver uma economia moderna e competitiva. A especificidade da economia criativa com a sua lógica transversal – interdisciplinar, transectorial – em que tudo está relacionado, obriga a uma nova abordagem de desenvolvimento e troca de experiências entre os vários sectores. A experimentadesign inicia um ciclo de simpósios dedicados a este tema com vista a impulsionar a capacidade de iniciativa e o empreendedorismo nacionais. O primeiro simpósio é realizado em colaboração com a Embaixada do Reino Unido em Portugal e com o Trade&Investments UK, tendo entre os oradores convidados Sir John Sorrell, Presidente do London Design Festival e da The Sorrell Foundation. O evento reúne dezenas de participantes oriundos de diferentes áreas de actividades ligadas às indústrias criativas, de 3 principais países: Brasil, Reino Unido e Portugal.

informação e imagens © Experimenta Design

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