Tarefas Infinitas | Museu Calouste Gulbenkian

Raymond Queneau (1903-1976), Cent Mille Milliards de Poèmes, FCG-Biblioteca de Arte. Cortesia do Museu Calouste Gulbenkian © Raymond Queneau, ADAGP.

Museu Calouste Gulbenkian

até 21 de outubro

Tarefas Infinitas, com curadoria de Paulo Pires do Vale, é uma exposição onde o livro é mostrado enquanto laboratório de experiências estéticas e artísticas, interrogando e alargando a conceção tradicional do livro e propondo uma reflexão sobre os limites, da arte e do livro – de que forma a arte põe à prova o livro e como o livro põe à prova a arte? Nessa contínua prova, o livro e a obra de arte apresentam-se como tarefas infinitas.

Com o infinito nas mãos

A fenda e a explosão: entrar-sair

Uma linha infinita: never ending story

Tudo existe para chegar a um livro

O fogo e o livro por vir

A exposição coloca em díalogo livros medievais com peças de artistas contemporâneos e com obras onde o livro tem uma presença determinante. O ponto de partida foi a coleção do Museu Calouste Gulbenkian e da Biblioteca de Arte.

artistas: Amadeo de Sousa-Cardoso, Ana Hatherly, Vieira da Silva, Lurdes Castro, Alberto Carneiro, Fernando Calhau, Ed Ruscha, Filippo Marinetti, Stéphane Mallarmé, Jean-Luc Godard, William Kentridge, Gordon Matta-Clark, Lawrence Weiner, Bas Jan Adar, Diogo Pimentão, José Escada, Helena Almeida, John Latham, Robert Filiou, Christian Boltanski, Olafur Eliasson, Daniel Blaufuks, Rui Chafes, entre outros. Fernanda Fragateiro e Hugo Canoilas criaram obras, propositadamente, para esta exposição.

Helena Almeida, Saída Negra, 1981, Coleção da Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento – depósito no Museu de Serralves. © Laura Castro Caldas/ Paulo Cintra. 

‘Abrir um livro é correr o risco de encontrar o infinito. Ter ao alcance da mão, nos limites da página, o sem-limites. E de que outro modo poderíamos nós encontrar o infinito senão no finito? Mensurável, palpável, visível. Nesse espaço aberto e branco da página, nas suas dobras, pode surgir o sem princípio, nem fim, nem centro: o Livro Infinito. Liberdade que é também desorientação: perdem-se as certezas e as referências habituais; os caminhos e sentidos bifurcam-se; a noite cerca-nos. Uma espécie de cegueira: o livro abre uma obscuridade essencial. A dos novos começos.’

Sonia Delaunay (1885-1979), Arthur Rimbaud (1854-1891), Les Illuminations, FCG-Biblioteca de arte. 

‘Os livros são perigosos: ateiam-nos fogo. Temíveis: por isso, são atirados ao fogo. Há uma relação íntima entre o livro, o fogo e as cinzas. Como a consciência de que o livro da nossa vida nos pode queimar. De que somos livro a ser escrito. Como um mapa aberto à viagem. A fazer-se e a desfazer-se. De um monte de palavras ou imagens, dessa matéria, forma-se-ão outros livros, possíveis, ainda por vir. Ou a reler. Desconhecidos. A biblioteca interminável de Babel. Tarefas Infinitas chamou-lhe Husserl, porque não se limitam ao tempo de vida de um indivíduo e são criação comunitária. O livro, a arte, o pensamento, a ciência. Vêm de longe e dirigem-se para longe. Ao virar da página, no infinito obscuro da origem, dá-se uma explosão de luz que é começo.’

Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918), Gustave Flaubert, La Légende de Saint Julien l’Hospitalier, 1912, Coleção CAM-Fundação Calouste Gulbenkian. 

(nota) tarefas infinitas - conceito que Edmund Husserl utilizou para definir a humanidade depois do início da filosofia: antes da filosofia, a cultura e o homem são tarefas completas na finitude. Com o aparecimento da filosofia, o horizonte fechado e finito é substituído por um de possibilidades sem fim, sempre em reformulação. Não apenas no âmbito da filosofia, da ciência ou do conhecimento teórico, mas em todos os campos culturais: a infinitude estende-se e contamina o todo da existência humana. Revoluciona o homem criador de cultura.

Dieter Roth (1930-1998), Quadrat-Blatt, 1965, Coleção Publicações de artista da Bibiloteca de Serralves. 

Lourdes Castro, Avessos Encadeados/ Ombre, Paris, 1970, Coleção Particular. 

Antoni Tàpies (1923-2012), Derrière le mirroir, Paris, 1969, FCG-Biblioteca de arte. 

Ed Ruscha, Every building on the Sunset Strip, 1966, Coleção Publicações de artista da Biblioteca de Serralves. 

Rui Chafes, O silêncio de… (1984-2012: work in progress), ferro e cinzas de textos, cada peça 6 x 8 x 16 cm. 

imagens da exposição no Museu Calouste Gulbenkian.