Rineke Dijkstra: a retrospective

 Guggenheim NY

até 8 de outubro 

Em 1990, a artista Rineke Dijkstra teve um acidente de bicicleta que alterou, radicalmente, a sua vida e o tipo de trabalho a que se dedicava. Quando recomeçou a fotografar fê-lo com uma nova ambição:

“I was seeking something original, something that would be authentic. I had started swimming so I thought, I’ll go swim thirty laps, then I’ll stand there, too tired to pose, and we’ll see how it turns out.”—Rineke Dijkstra

Rineke Dijkstra, Self Portrait, Marnixbad, Amsterdam, Netherlands, June 19, 1991. Chromogenic print, 35 x 28 cm. courtesy the artist and Marian Goodman Gallery, New York and Paris © Rineke Dijkstra.

Desde o início dos anos 90, do século XX, que Rineke Dijkstra (n. 1959, Holanda) tem vindo a desenvolver um complexo corpo de trabalho, através da fotografia e do vídeo, oferecendo um olhar contemporâneo a um género que vive, essencialmente, da representação do rosto - o retrato. As suas fotografias, a cores, de grande escala, cujos sujeitos são jovens adolescentes, parecem influenciadas pela pintura holandesa do século XVII, tendo em conta a escala e a acuidade visual

O contexto e os detalhes presentes nas suas fotografias e vídeos levam-nos a reflectir sobre o intercâmbio entre o fotógrafo e objecto e a relação entre o espectador e o objecto retratado. Rineke Dijkstra: uma retrospectiva reúne mais de 70 fotografias e cinco vídeos, oferecendo uma das apresentações mais detalhadas sobre o trabalho desta artista até à data.

Dijkstra criou vários grupos de fotografias e vídeos à volta de uma tipologia ou tema específico. Em 1992, começou a retratar adolescentes nas praias de Hilton Head, Carolina do Sul, nos EUA, continuando, depois, o seu trabalho na Polónia e na Ucrânia. A temática desta série ‘Beach Portraits’ (1992-2002) retratava jovens na fronteira entre a adolescência e a vida adulta. Nos seus trabalhos mais recentes, incluem-se retratos de mães que acabaram de dar à luz e fotografias de toureiros acabados de sair da arena. Dijkstra procurou indivíduos cuja exaustão física iria diminuir a probabilidade de uma pose artificial.

Rineke Dijkstra, ‘Beach Portraits’ (1992-2002). courtesy the artist and Marian Goodman Gallery, New York and Paris © Rineke Dijkstra.

Noutra série – ‘Almerisa’, Dijkstra fotografou indivíduos ao longo de vários meses ou anos. Começando em 1994 com a fotografia de uma menina bósnia num centro de refugiados, na Holanda. Dijkstra continuou a fotografá-la, regularmente, durante mais de uma década, até ela se tornar mulher adulta e mãe. Os sinais exteriores da sua transição para a vida adulta e a integração na cultura holandesa revelam-se, progressivamente, ao longo desta série. Da mesma forma, a série ‘Olivier’ (2000-03) segue um jovem até ao seu recrutamento, pela Legião Francesa, mostrando o seu desenvolvimento, físico, psicológico e a transformação de rapaz em soldado.

Este estudo sociológico adquire, através da perspectiva de Dijkstra, uma dimensão emocional ao estabelecer, de imediato, uma relação com o espectador. Transmite-nos calor humano através do olhar, sempre directo, do retratado e da história de vida que nos é dada a conhecer. Impõe proximidade e sugere afecto. 

Rineke Dijkstra, from the serie Olivier (2000-03). courtesy the artist and Marian Goodman Gallery, New York and Paris © Rineke Dijkstra.

Rineke Dijkstra, from the serie Olivier (2000-03). courtesy the artist and Marian Goodman Gallery, New York and Paris © Rineke Dijkstra.