Vítor Pomar | Os Atributos do Ar

Bloco 103

de 14 de Junho a 31 de Julho 

“Exposição dedicada a todas as culturas nativas, não escritas, depositárias de sabedoria e firmemente enraizadas na natureza e em harmonia com ela.”

Inaugura no próximo dia 14 de Junho a exposição ‘Os Atributos do Ar’ de Vítor Pomar na galeria Bloco 103 em Lisboa. Trata-se de 4ª exposição desta galeria que procura trazer a público o diálogo com distintas linguagens e percursos, assegurando um equilíbrio entre autores emergentes e consagrados. Neste processo procura seguir uma linha de abertura, sustentada na prática dos autores e na originalidade da obra.

Vítor Pomar, Os Atributos do Ar, em exposição na galeria Bloco 103, 2012. Cortesia do artista e da Bloco 103.

“a arte tem condições que não se submetem a nenhuma visão que tenda a aniquilá-las” Maria Filomena Molder, in Vítor Pomar, o meu campo de batalha, museu de serralves.

Vítor Pomar tem um percurso muito próprio na arte contemporânea portuguesa. As exposições no Museu de Serralves e no CAM (Fundação Calouste Gulbenkian) resultaram dessa singularidade. Um olhar “subversivo” e uma prática orientalista que emerge da sua interrogação existencial. 

Vítor Pomar nasceu em 1949, em Lisboa. Frequentou o curso de Pintura na Escola de Belas Artes do Porto e de Lisboa. Vive e trabalha em Assentiz, Rio Maior. Das inúmeras exposições individuais destaque para: 2011 - “Nada para fazer nem sítio aonde ir”, CAM (Fundação Calouste Gulbenkian), Lisboa; 2005 - Micropráticas, LISBOAPHOTO (Museu Nacional de Arte Antiga), Lisboa, Comissário Sérgio Mah, texto de Nuno Faria, ‘Objectos do acaso de passagem como o vento’; 2004 - Vítor Pomar (Fidelidade-Mundial, Chiado 8, Arte Contemporânea) Lisboa,  texto de Raquel Henriques da Silva, ‘A redenção pela pintura’; 2003 - Vítor Pomar, O Meu Campo de Batalha (Museu de Arte Contemporânea de Serralves), Porto, textos: João Fernandes, ‘Vítor Pomar: notas sobre a constante interrogação do ser através da criação’, Maria Filomena Molder, ‘Depósitos de pó e folha de ouro’, Delfim Sardo, ‘Reconhecimento de campo’, Vítor Pomar, antologia de textos. Participou, igualmente, em importantes mostras colectivas, a título de exemplo: Obras da Colecção de Arte da Fundação EDP; CAM (Fundação Calouste Gulbenkian); Serralves 2009, a Colecção, Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Porto; Arte Contemporânea: Colecção Caixa Geral de Depósitos – Novas Aquisições, Culturgest, Lisboa, entre muitas outras. 

Vítor Pomar, Os Atributos do Ar, em exposição na galeria Bloco 103, 2012. Cortesia do artista e da Bloco 103.

Além do mais, ouvem-se os passos dos animais que fomos antes de humanos, os passos das pedras e dos vegetais e das coisas que cada humano foi. E também o que antes escutámos, tudo isso se ouve na noite da selva. Ouve-se dentro de cada um, nas recordações do que cada um escutou ao longo da vida, bailes e pífaros e promessas  e mentiras e medos e confissões e alaridos de guerra e gemidos de amor. Vozes agonizantes que fomos ou que apenas escutámos. Certas histórias, histórias da manhã. Porque tudo o que vamos escutar, tudo isso se ouve, antecipado, no meio da noite da selva, na selva que se ouve a meio da noite. A memória é mais, muito mais, sabes? A memória verídica conserva também o que está para acontecer. E até o que nunca chegará, também isso ela conserva. Imagina. Apenas imagina. Quem vai poder ouvir tudo, dizes-me? Quem vai poder ouvir tudo, duma só vez, e acreditar?… in Cesar Calvo, “Las tres mitades de Ino Moxo”, http://www.rezistencia.org

Vítor Pomar, Os Atributos do Ar, em exposição na galeria Bloco 103, 2012. Cortesia do artista e da Bloco 103.